O que importa é...
Certamente o que importa pra mim, não é tudo o que é importante para você. Porém, coisas simples são tão importantes para algumas pessoas, que podemos aprender nesta simplicidade a sermos muito mais felizes e darmos muito mais valor para aquilo que temos, que somos, que fazemos, que sonhamos...
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Carta para tia Ná II
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Carta para tia Ná

Há 7 meses vocês notaram que alguma coisa estava vindo ao mundo para alegrar ainda mais a vida de todos e que mudaria, e muito, alguns princípios, alguns valores e até algumas vidas.
Pois é, eu estou crescendo e depois daquele dia vinte e sete de fevereiro minha evolução foi grande. A cada momento mais pessoas conseguiam sentir a minha presença e eu me tornava cada dia mais real na vida de todos. Senti que demorou um pouco para mamãe perceber que eu realmente estava ali. E o Papai? Ele não conseguia acreditar que em breve eu estaria ali na casa, alegrando seu dia-a-dia, jogando futebol com ele, curtindo um vídeo game, soltando pipa, correndo de bicicleta, escondendo dele na hora dele chegar.
É, tia Ná! Eu estou quase chegando!
Até hoje eu lembro da grande emoção que foi quando vocês ficaram sabendo da minha existência e vejo quanta evolução e revolução causei na vida de todos. Lembro-me dos meus primeiros movimentos que mamãe sentiu, emocionou muito ao papai. Vi também o melhor presente que mamãe poderia ganhar no seu aniversário, quando descobriu que poderia me chamar pelo nome de Lorenzo e papai confirmou o que ele tanto desejava, um menininho para brincar com ele.
Sei da minha “responsabilidade” neste mundo onde estou chegando, serei muito feliz e farei a felicidade de muita gente. Vejo hoje a empolgação de vocês em arrumar o meu quartinho, em comprar meus primeiros pertences, minhas roupas, meus sapatos, meus bichinhos. Na preocupação da decoração do meu quarto, com o meu conforto e também com a minha chegada, pois bem que sei, mamãe é um tanto quanto desajeitada, e vai ter um pouco de medo de ficar comigo sozinha, pelo menos no começo. Fiquei muito feliz quando deu certo da gente mudar pra perto da casa da vovó, pois ficará bem mais fácil para mamãe cuidar de mim com a ajuda dela.
Adorei o álbum que você me deu, os desenhos da priminha Lara, o carinho da madrinha Nessa e do padrinho Fernando, o cuidado dos vovôs, a preocupação e os presentes das vovós, o presente das titias.
Fiquei muito orgulhoso também da minha primeira festinha, o Baby Bingo. Não vejo a hora de ver aquele monte de gente reunido só para celebrar a minha chegada, em grande estilo. Vai ser uma festa de arromba!
Então, tia Ná! Ontem fiz a minha primeira façanha! Escondi da médica na hora de ouvir meu coraçãozinho. Ela disse que ia me dar umas palmadas, e que estava tudo bem comigo. Mamãe sabe que estou bem, pois brinco bastante na sua barriga. Papai, todas as vezes que me vê mexendo, fica super emocionado. Mas, eu sou espertinho, e não é pra todo mundo que eu me exibo não. Pra você é um caso. Ainda não dei o ar da graça de me mexer quando você coloca a mão sobre mim. Porém, Tia Ná, não se preocupe. Estou chegando e vocês poderão ficar comigo face to face e não terá jeito d’eu me esconder mais.
É, aqui dentro está ficando apertado. Meus movimentos estão cada vez mais percebíveis a olho nu e mamãe adora ficar um bom tempo me observando a fazer morrinhos na sua barriga. Sei que cada momento é único e muito emocionante, e que minha hora está chegando. Ficarei aqui por mais alguns dias, não falo em meses, pois não dá mais para ficar nem 2 meses. Mas ficarei o tempo suficiente para me formar direitinho e dar a alegria de nascer um menino lindo e saudável para que todos possam me curtir aí, do lado de fora, melhor do que estão me curtindo aqui do lado de dentro.
Aguarde! Estou chegando em breve!
Amo vocês todos!
Beijos, Lorenzo!
quarta-feira, 9 de março de 2011
Elefantes de circo
Quando eu era pequeno adorava o circo e, por isso mesmo, nunca perdia uma única ida deste fantástico mundo á minha cidade.
terça-feira, 1 de março de 2011
Uma vida!

Ela estava receosa. Na última semana tinha feito as contas no calendário, dia a dia e chegou à conclusão que estava preocupada sem motivo.
Uma semana depois e nada acontece. Chegando no último dia previsto, nada. Aí caiu em desconfiança. Havia ali a presença de alguma coisa que causava susto, que fazia o coração tiritar, as mãos ficarem suadas. Era necessário a confirmação.
Ao sair do trabalho, por sinal em horário nada convencional, passou por uma farmácia e solicitou o teste que confirmaria tanta sofreguidão. Quando solicitado ao balconista, foram demonstrados vários, porém ela necessitava somente de um. Um único que confirmaria a suspeita. Escolheu. Chegou em casa e leu, afinal, tudo era novidade. Esperou até o primeiro xixi do dia. Nunca uma noite fora tão longa quanto aquela. Aguardando o armazenamento do liquido necessário para a confirmação do desespero.
No outro dia, acordou, olhou para o lado e nem sinal de alguém acordado. Levantou-se e seguiu até o banheiro. Lá dizia que não era necessário colher a urina, mas mesmo assim isto foi feito. Vai que a quantidade que molha aquela mísera fitinha não é necessária para percorrer todo o caminho até o resultado? Preferiu não arriscar. Agiu da melhor forma para obter um resultado sem hesitação.
O líquido percorreu aquela fita chegando à janelinha do resultado. Pintou a primeira linha. Clara, muito clara e fina. Ao recorrer a bula estava indicando: “Mesmo que uma das linhas for muito clara, o resultado é positivo”. Bom, até então, nada tinha se confirmado. Aguardou mais alguns segundos enquanto o líquido avançava. E mais uma linha foi pintada. Desta vez mais escura, totalmente nítida. Era a confirmação do que a remetia ao medo.
Daí o coração disparou. As mãos começaram a tremer, veio um sentimento lá do fundo que nunca tinha passado por seu corpo, por sua mente. Algo estranho, alheio, esquivo, difícil de descrever. Inexplicável. Não sabia se era bom ou ruim tudo aquilo. Era medo.
Agora era necessário tornar público, afinal o acontecido traria muita alegria para muitas pessoas. Não era uma coisa para se curtir solitariamente.
Quando retornou ao seu repouso, ele estava acordado. Foi então que teve a idéia de ter vontade de churrasco. Sugeriu que fizessem um e então chamassem todos, os pais dela e os pais dele, juntamente com todos os cunhados. Seria muito mais legal se todos soubessem ao mesmo tempo.
Alguém precisava saber antes de todo mundo, pois ficaria responsável por registrar o momento. Encontrou-se com sua cunhada, Michelle, e contou a ela no meio da rua, no movimento do centro, junto à multidão. Sua alegria foi evidente. Muito emocionante. Porém tinham que se conter, pois o personagem principal de todo o conto estava a aproximar-se.
Tudo combinado.
Não foi possível completar o plano sozinha. Teve que pedir arrego. Um torpedo e pronto. Problema resolvido. “Mi, daria para você comprar o sapatinho para mim?”
No outro dia, tudo conspirava a favor. Nenhuma desconfiança, tudo correndo como previsto. Um almoço normal, como outro qualquer que teriam feito com a família.
Seu irmão não chegava, o tempo foi passando e a agonia foi aumentando.
Até que tomou a decisão: “Vou lá pegar”. Michelle se preparou. Ela desceu com a caixa. Era azul e tinha laço de fita. Todos ficaram olhando, porém nenhuma pergunta.
Quando deram a deixa, pronunciou-se:
- “Tenho um presente para você!”
- “Presente? Pra mim? Por que?”
Com coisa que para se dar ou ganhar presente precisa ter algum motivo especial. Este era um momento especial e único, para todos ali reunidos.
Foi quando abriu a caixa e inerte ao que encontrou não se conteve. O choro foi inevitável, a emoção foi incomensurável. Todos olhando aquela cena solicitaram: “O que é? Mostra pra gente! Fala logo!!!”.
E ele, sem nada dizer, levantou: um sapatinho.
Era a notícia de que sua família estava aumentando, que Deus estava proporcionando a eles um presente dos mais belos que Ele dá a uma mulher e a um homem: um filho, uma vida.
Foi emocionante.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Primavera

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododentros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur.
Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação.
Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega.
É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim.
Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu.
E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvi dos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul.
Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra.
Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade.
Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Portas abertas
Todos os caminhos
levam a algum lugar.
Todos eles têm um começo e,
fatalmente, um fim.
Há aqueles que nos
parecem tão longos e tão difíceis
que ver o fim deles requer
a fé que abre os olhos ao
que está muito além de nós.
O que não existe são os
caminhos sem saída,
eles possuem simplesmente saídas
que tememos atravessar.
Quando achamos que um
problema não tem solução,
o que queremos dizer é que
ele não possui
uma solução aceitável,
compatível com nosso querer.
E é assim que nossos
caminhos permanecem cada
vez mais longos,
mais sofridos.
Quando as saídas são
abandonar um sonho,
deixar algo para trás,
reconhecer um erro ou
uma má decisão,
aceitar um outro modo de vida,
nos deparamos com as
barreiras que nos deixam
nesse meio caminho do não
saber o que fazer.
São esses os dias mais
longos das nossas vidas,
os anos que não passam ou
nos deixam a amarga sensação
de estar a perder as alegrias
cabíveis a cada um.
Não podemos nos agarrar
a certas coisas como
se nosso sopro dependesse delas.
Sonhos morrem e outros
nascem e dão continuidade à
vida e é assim desde o
princípio de tudo.
Para cada porta fechada
há uma outra que pode se abrir,
cada lágrima derramada um
sorriso que está por vir.
A fé abre novas perspectivas
aos que querem enxergar.
As portas abrem-se
uma a uma para os que
sabem deixar o passado pra
trás e acreditam num novo e
mais bonito amanhecer.


