segunda-feira, 21 de maio de 2012

Carta para tia Ná II


Querida tia Ná!

Tudo bem? Aqui está tudo ótimo. Hoje eu já estou com 6 meses e 18 dias e cheio de novidades para contar. Há 9 meses mamãe escrevia uma cartinha para você, em meu nome, dizendo da alegria que seria em encontra-los pessoalmente. Pois é. Hoje eu sei o quanto vocês me amam, incondicionalmente, e por isto eu sou um menino muito feliz. Antes eu era só um sapatinho colorido, agora eu sou um homenzinho!!!
Agora a mamãe já está preparando a minha festa de aniversário. E vejo que você também está se envolvendo. Tenho certeza que será uma festa linda, que eu vou adorar receber todos aqueles que não viam a hora que eu chegasse. Vamos registrar tudo. Vai ser uma festa de arromba.
Estou muito esperto, faço gracinhas, já balbucio algumas palavras “te te te te tei”, “ma ma ma ma” e até mando alguns beijinhos, mas só pra algumas pessoas, ainda sou muito tímido. Eu vou ficar um menino super falador, pois meu avô está me ensinando a ser assim… Mamãe disse a ele que quando ela for chamada na escola porque eu estou conversando muito em sala de aula é ele quem vai falar com a diretora, aí sim eu quero ver… Como ele vai se explicar com ela. Mas, tenho certeza tia Ná, que isto é muito bom pra mim.
Hoje eu estou sentando, brinco sozinho com meus brinquedos e estou ensaiando engatinhar. Minhas perninhas já estão amparando o meu corpo e vejo a alegria de todos quando eu fico “so só”, nem que por poucos segundos…
Ah tia Ná! Estou comendo também, de tudo! Já até mastigo! Sério, de verdade. Ainda não tenho dentes, mas mamãe e vovó já estão introduzindo comida com pedacinhos e eu mando ver. Adoro o papá da vovó e da mamãe.
Uma outra novidade é que estou dormindo praticamente a noite toda. Só acordo uma vez, bem de manhãzinha para mamar, porque eu acabo dormindo muito cedo e sinto fome. Mamãe e papai estão sempre prontos para me ajudar. Enquanto mamãe prepara o tetê, papai fica comigo no colo, me dando bastante carinho. Mamo e volto a dormir. Sabe tia Ná, eu adoro o meu quartinho. Quando fico muito tempo longe, sinto saudade dele, mamãe me coloca no berço e fico super feliz, ouvindo minha musiquinha predileta e vendo os bichinhos que vocês colaram na parede. Acho que é um dos lugares da minha casa que fico mais tranquilo e feliz.
Adoro passear com o vovô de carrinho. Todos os dias chega o horário se ele não estiver preparado eu começo a reclamar. Aí vamos dar uma volta no quarteirão de cima e eu não durmo nem sequer um segundo durante o passeio. E mais, eu estou famoso! As pessoas já perguntam se eu não vou mais na missa, se não vou na padaria e também no supermercado. Todo mundo já me conhece e todos me acham lindo, muito esperto e simpático!
Quanto ao papai, ele evoluiu muito. Estamos aprendendo juntos. Ele me dá mama, troca minha fralda e faz eu nanar. Adoro o colinho dele noturno para me embalar no sono. Brinca comigo, lê historinhas e me leva para passear.
Vejo agora tia Ná que sou realmente um menino muito feliz com a família que tenho. Vocês tinham razão quando me contavam isso na barriga da mamãe. O carinho e o amor que recebo dos meus avós, dos meus tios e dos meus dinhos são fora do comum e tudo o que eu preciso para crescer um menino saudável, bonito, amoroso e feliz. Sem falar nas minhas priminhas lindas. Elas também adoram conversar comigo.
Percebo a alegria de cada um a cada coisa nova que aprendo, a cada gesto novo que ensaio e a cada evolução minha no dia a dia. São estas coisas simples, tia Ná, que me fazem feliz e também as pessoas que convivem comigo. É amor. Amor incondicional.
Amo todos vocês! Em breve escreveremos novamente com mais novidades!

Beijinhos,
Lorenzo!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Carta para tia Ná



Querida tia Ná,

Há 7 meses vocês notaram que alguma coisa estava vindo ao mundo para alegrar ainda mais a vida de todos e que mudaria, e muito, alguns princípios, alguns valores e até algumas vidas.
Pois é, eu estou crescendo e depois daquele dia vinte e sete de fevereiro minha evolução foi grande. A cada momento mais pessoas conseguiam sentir a minha presença e eu me tornava cada dia mais real na vida de todos. Senti que demorou um pouco para mamãe perceber que eu realmente estava ali. E o Papai? Ele não conseguia acreditar que em breve eu estaria ali na casa, alegrando seu dia-a-dia, jogando futebol com ele, curtindo um vídeo game, soltando pipa, correndo de bicicleta, escondendo dele na hora dele chegar.
É, tia Ná! Eu estou quase chegando!
Até hoje eu lembro da grande emoção que foi quando vocês ficaram sabendo da minha existência e vejo quanta evolução e revolução causei na vida de todos. Lembro-me dos meus primeiros movimentos que mamãe sentiu, emocionou muito ao papai. Vi também o melhor presente que mamãe poderia ganhar no seu aniversário, quando descobriu que poderia me chamar pelo nome de Lorenzo e papai confirmou o que ele tanto desejava, um menininho para brincar com ele.
Sei da minha “responsabilidade” neste mundo onde estou chegando, serei muito feliz e farei a felicidade de muita gente. Vejo hoje a empolgação de vocês em arrumar o meu quartinho, em comprar meus primeiros pertences, minhas roupas, meus sapatos, meus bichinhos. Na preocupação da decoração do meu quarto, com o meu conforto e também com a minha chegada, pois bem que sei, mamãe é um tanto quanto desajeitada, e vai ter um pouco de medo de ficar comigo sozinha, pelo menos no começo. Fiquei muito feliz quando deu certo da gente mudar pra perto da casa da vovó, pois ficará bem mais fácil para mamãe cuidar de mim com a ajuda dela.
Adorei o álbum que você me deu, os desenhos da priminha Lara, o carinho da madrinha Nessa e do padrinho Fernando, o cuidado dos vovôs, a preocupação e os presentes das vovós, o presente das titias.
Fiquei muito orgulhoso também da minha primeira festinha, o Baby Bingo. Não vejo a hora de ver aquele monte de gente reunido só para celebrar a minha chegada, em grande estilo. Vai ser uma festa de arromba!
Então, tia Ná! Ontem fiz a minha primeira façanha! Escondi da médica na hora de ouvir meu coraçãozinho. Ela disse que ia me dar umas palmadas, e que estava tudo bem comigo. Mamãe sabe que estou bem, pois brinco bastante na sua barriga. Papai, todas as vezes que me vê mexendo, fica super emocionado. Mas, eu sou espertinho, e não é pra todo mundo que eu me exibo não. Pra você é um caso. Ainda não dei o ar da graça de me mexer quando você coloca a mão sobre mim. Porém, Tia Ná, não se preocupe. Estou chegando e vocês poderão ficar comigo face to face e não terá jeito d’eu me esconder mais.
É, aqui dentro está ficando apertado. Meus movimentos estão cada vez mais percebíveis a olho nu e mamãe adora ficar um bom tempo me observando a fazer morrinhos na sua barriga. Sei que cada momento é único e muito emocionante, e que minha hora está chegando. Ficarei aqui por mais alguns dias, não falo em meses, pois não dá mais para ficar nem 2 meses. Mas ficarei o tempo suficiente para me formar direitinho e dar a alegria de nascer um menino lindo e saudável para que todos possam me curtir aí, do lado de fora, melhor do que estão me curtindo aqui do lado de dentro.
Aguarde! Estou chegando em breve!
Amo vocês todos!
Beijos, Lorenzo!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Elefantes de circo

Quando eu era pequeno adorava o circo e, por isso mesmo, nunca perdia uma única ida deste fantástico mundo á minha cidade.

Uma das coisas que, desde muito pequeno me intrigou foi que, os elefantes, enormes, estavam sempre presos por uma pata a uma pequena e insignificante estaca de madeira.
Claramente, o elefante poderia, em qualquer altura que quisesse, puxar a estaca com toda a facilidade e fugir dali para fora; no entanto, não o fazia.
Porquê?
Finalmente, numa das minhas muitas idas ao circo, recebi resposta de um dos tratadores.
O elefante era levado para o circo ainda bebê, e preso com uma estaca pequena de madeira.
Ora, nessa altura o elefante não tinha muita força, e as suas tentativas iniciais de puxar a estaca e fugir eram sempre em vão; assim sendo, a certa altura o elefante deixava de puxar: resignava-se.
E resignava-se de tal modo que, passado anos, quando já era enorme e forte, continuava convencido de que a estaca que o prendia era mais forte e que ele nem sequer se dignava a tentar outra vez, não fazendo sequer ideia da surpresa que teria se tentasse uma vez mais.

Esta história fez-me pensar, acerca da resignação das pessoas, do inconformismo.
Quantas estacas haverão na nossa vida e na nossa sociedade que islusóriamente nos prendem, porque simplesmente, a certa altura, deixamos de tentar?
E, por sua vez, que surpresas não teríamos nós se, um dia, decidíssemos tentar só mais uma vez?

Muitas vezes não vemos a força que cada um de nós transporta. Ficaríamos admirados e ficamos sempre quando vemos que somos mais fortes do que o julgamos.
Mas o meu espanto entra aí: quando reparamos que somos mais fortes, porque é que não tentamos sempre retirar essas estacas?
E porque é, que cada vez que retiramos ficamos sempre tão admirados?
É...achamo-nos muito espertos e senhores dos nossos narizes, mas no fundo não passamos de pequenos (ou grandes) e ingenuos elefantes do circo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Uma vida!

Ela estava receosa. Na última semana tinha feito as contas no calendário, dia a dia e chegou à conclusão que estava preocupada sem motivo.

Uma semana depois e nada acontece. Chegando no último dia previsto, nada. Aí caiu em desconfiança. Havia ali a presença de alguma coisa que causava susto, que fazia o coração tiritar, as mãos ficarem suadas. Era necessário a confirmação.

Ao sair do trabalho, por sinal em horário nada convencional, passou por uma farmácia e solicitou o teste que confirmaria tanta sofreguidão. Quando solicitado ao balconista, foram demonstrados vários, porém ela necessitava somente de um. Um único que confirmaria a suspeita. Escolheu. Chegou em casa e leu, afinal, tudo era novidade. Esperou até o primeiro xixi do dia. Nunca uma noite fora tão longa quanto aquela. Aguardando o armazenamento do liquido necessário para a confirmação do desespero.

No outro dia, acordou, olhou para o lado e nem sinal de alguém acordado. Levantou-se e seguiu até o banheiro. Lá dizia que não era necessário colher a urina, mas mesmo assim isto foi feito. Vai que a quantidade que molha aquela mísera fitinha não é necessária para percorrer todo o caminho até o resultado? Preferiu não arriscar. Agiu da melhor forma para obter um resultado sem hesitação.

O líquido percorreu aquela fita chegando à janelinha do resultado. Pintou a primeira linha. Clara, muito clara e fina. Ao recorrer a bula estava indicando: “Mesmo que uma das linhas for muito clara, o resultado é positivo”. Bom, até então, nada tinha se confirmado. Aguardou mais alguns segundos enquanto o líquido avançava. E mais uma linha foi pintada. Desta vez mais escura, totalmente nítida. Era a confirmação do que a remetia ao medo.

Daí o coração disparou. As mãos começaram a tremer, veio um sentimento lá do fundo que nunca tinha passado por seu corpo, por sua mente. Algo estranho, alheio, esquivo, difícil de descrever. Inexplicável. Não sabia se era bom ou ruim tudo aquilo. Era medo.

Agora era necessário tornar público, afinal o acontecido traria muita alegria para muitas pessoas. Não era uma coisa para se curtir solitariamente.

Quando retornou ao seu repouso, ele estava acordado. Foi então que teve a idéia de ter vontade de churrasco. Sugeriu que fizessem um e então chamassem todos, os pais dela e os pais dele, juntamente com todos os cunhados. Seria muito mais legal se todos soubessem ao mesmo tempo.

Alguém precisava saber antes de todo mundo, pois ficaria responsável por registrar o momento. Encontrou-se com sua cunhada, Michelle, e contou a ela no meio da rua, no movimento do centro, junto à multidão. Sua alegria foi evidente. Muito emocionante. Porém tinham que se conter, pois o personagem principal de todo o conto estava a aproximar-se.

Tudo combinado.

Não foi possível completar o plano sozinha. Teve que pedir arrego. Um torpedo e pronto. Problema resolvido. “Mi, daria para você comprar o sapatinho para mim?”

No outro dia, tudo conspirava a favor. Nenhuma desconfiança, tudo correndo como previsto. Um almoço normal, como outro qualquer que teriam feito com a família.

Seu irmão não chegava, o tempo foi passando e a agonia foi aumentando.

Até que tomou a decisão: “Vou lá pegar”. Michelle se preparou. Ela desceu com a caixa. Era azul e tinha laço de fita. Todos ficaram olhando, porém nenhuma pergunta.

Quando deram a deixa, pronunciou-se:

- “Tenho um presente para você!”

- “Presente? Pra mim? Por que?”

Com coisa que para se dar ou ganhar presente precisa ter algum motivo especial. Este era um momento especial e único, para todos ali reunidos.

Foi quando abriu a caixa e inerte ao que encontrou não se conteve. O choro foi inevitável, a emoção foi incomensurável. Todos olhando aquela cena solicitaram: “O que é? Mostra pra gente! Fala logo!!!”.

E ele, sem nada dizer, levantou: um sapatinho.

Era a notícia de que sua família estava aumentando, que Deus estava proporcionando a eles um presente dos mais belos que Ele dá a uma mulher e a um homem: um filho, uma vida.

Foi emocionante.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Primavera

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.

A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododentros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur.

Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação.

Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega.

É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim.

Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu.

E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvi dos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul.

Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra.

Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade.

Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Portas abertas

Todos os caminhos
levam a algum lugar.

Todos eles têm um começo e,
fatalmente, um fim.

Há aqueles que nos
parecem tão longos e tão difíceis
que ver o fim deles requer
a fé que abre os olhos ao
que está muito além de nós.

O que não existe são os
caminhos sem saída,
eles possuem simplesmente saídas
que tememos atravessar.

Quando achamos que um
problema não tem solução,
o que queremos dizer é que
ele não possui
uma solução aceitável,
compatível com nosso querer.

E é assim que nossos
caminhos permanecem cada
vez mais longos,
mais sofridos.

Quando as saídas são
abandonar um sonho,
deixar algo para trás,
reconhecer um erro ou
uma má decisão,
aceitar um outro modo de vida,
nos deparamos com as
barreiras que nos deixam
nesse meio caminho do não
saber o que fazer.

São esses os dias mais
longos das nossas vidas,
os anos que não passam ou
nos deixam a amarga sensação
de estar a perder as alegrias
cabíveis a cada um.

Não podemos nos agarrar
a certas coisas como
se nosso sopro dependesse delas.
Sonhos morrem e outros
nascem e dão continuidade à
vida e é assim desde o
princípio de tudo.

Para cada porta fechada
há uma outra que pode se abrir,
cada lágrima derramada um
sorriso que está por vir.

A fé abre novas perspectivas
aos que querem enxergar.

As portas abrem-se
uma a uma para os que
sabem deixar o passado pra
trás e acreditam num novo e
mais bonito amanhecer.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pensamento sábio


Não importa qual foi o resultado.
Volte para casa sempre de cabeça erguida.