terça-feira, 21 de setembro de 2010

Primavera

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.

A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododentros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur.

Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação.

Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega.

É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim.

Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu.

E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvi dos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul.

Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra.

Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade.

Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Portas abertas

Todos os caminhos
levam a algum lugar.

Todos eles têm um começo e,
fatalmente, um fim.

Há aqueles que nos
parecem tão longos e tão difíceis
que ver o fim deles requer
a fé que abre os olhos ao
que está muito além de nós.

O que não existe são os
caminhos sem saída,
eles possuem simplesmente saídas
que tememos atravessar.

Quando achamos que um
problema não tem solução,
o que queremos dizer é que
ele não possui
uma solução aceitável,
compatível com nosso querer.

E é assim que nossos
caminhos permanecem cada
vez mais longos,
mais sofridos.

Quando as saídas são
abandonar um sonho,
deixar algo para trás,
reconhecer um erro ou
uma má decisão,
aceitar um outro modo de vida,
nos deparamos com as
barreiras que nos deixam
nesse meio caminho do não
saber o que fazer.

São esses os dias mais
longos das nossas vidas,
os anos que não passam ou
nos deixam a amarga sensação
de estar a perder as alegrias
cabíveis a cada um.

Não podemos nos agarrar
a certas coisas como
se nosso sopro dependesse delas.
Sonhos morrem e outros
nascem e dão continuidade à
vida e é assim desde o
princípio de tudo.

Para cada porta fechada
há uma outra que pode se abrir,
cada lágrima derramada um
sorriso que está por vir.

A fé abre novas perspectivas
aos que querem enxergar.

As portas abrem-se
uma a uma para os que
sabem deixar o passado pra
trás e acreditam num novo e
mais bonito amanhecer.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pensamento sábio


Não importa qual foi o resultado.
Volte para casa sempre de cabeça erguida.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

É, Amigo! Chegou sua hora!


Gostaria de escrever um texto bonito, cheio de rimas, de poesia e de encanto. Mas você sabe que isto é privilégio de poucos e nem todos são como você. Então, vou falar o que estou sentindo neste momento. Façamos da sua partida um momento bom, alegre, assim como você.
É, amigo! Chegou sua hora! Estou triste pela sua partida, mas muito feliz pela sua realização.

Fico eu aqui, já com saudades suas, das suas manias, dos seus temores, das suas alegrias e de seus rancores. Oh loko! Rimei hein!

Foram 8 anos de convivência diária. Neste ultimo ano, ficamos muito mais próximos e superamos as nossas diferenças. Diferenças estas, que no final, não faziam a mínima diferença. Brigas e provocações já não nos afetavam mais. Tudo era motivo de risada, de graça, de zoação. Chegamos a tal ponto que entre nós não havia mais limites. Com todo respeito, é claro. Amizade sincera.

Dia após dia, estávamos nós ali, muitas vezes você segurando a minha barra e eu segurando a sua. Já fazíamos parte um do outro. E desta convivência, eu só posso dizer que aprendi coisas boas, que fazem parte da minha vida, que melhoraram a minha e a vida de muitas pessoas do meu convívio.

Com você aprendi a apreciar vários tipos de música, de cantores, de letras e de melodias.
Com você aprendi a respeitar diferenças que antes para mim eram insuportáveis.
Com você aprendi a xingar para desabafar.
Com você aprendi a xingar para brincar.
Com você aprendi a xingar para xingar. (Ah, já xinguei mesmo! Agora me sinto preparada para as ruas da vida.)

Com você aprendi a não me preocupar com o que não devia e sim dar a merecida atenção àquilo que é realmente importante. Está certo que muitas vezes me deixei levar pelo nervosismo, mas depois de um tempo tudo se tornava fútil e a vida continuava.

Aprendi a valorizar mais as pessoas.

Ficarão na lembrança as palhaçadas, as conversas fora de hora, o aprendizado, as músicas, as piadas, as risadas, a alegria, o rebolado, a dança, o gingado. Poxa vida! Só coisa boa.

Bom, não tenho mais o que falar. Só tenho que desejar a você muito sucesso nesta sua nova caminhada. Que Deus o ilumine e abençoe sempre. E que você consiga realizar todos os seus sonhos. E não pense que não vamos mais nos encontrar. Tenho muito o que aprender com você ainda.

Como disse o nosso admirado Fernando Pessoa: "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Então, voe, passarinho!
Um grande Abraço! Até logo!

domingo, 1 de agosto de 2010

A arte de não adoecer

Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos"

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer - "Tome decisão"

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de
doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer - "Busque soluções"

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"

Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer - "Aceite-se"

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer - "Confie"

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer - "Não viva sempre triste"

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.

sábado, 24 de julho de 2010

Frase


"Você não pode depender de seus olhos quando sua imaginação está fora de foco."

quinta-feira, 22 de julho de 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

Cesta Básica


Oi Deus!, como estás?

Escrevo para lhe saudar e porque, agora sim, preciso me abastecer, pois a 'cesta básica' com a qual me enviastes ao mundo, foi se esgotando no decorrer destes anos...

Por exemplo, a paciência acabou por completo, do mesmo modo do que a prudência e a tolerância.

E me restam pouquinhas esperanças e o vidrinho da fé, está também vazio.

A imaginação também anda escassa por estas bandas.

[…]

Inicialmente, gostaria que enchesse os frascos da paciência e da tolerância (mas até a borda!), e que me enviasse, por favor, o curso intensivo 'Como ser mais prudente', volumes 1, 2 e 3.

[…]

Me presenteie com imaginação outra vez; mas não demais, porque devo lhe confessar que em algumas ocasiões usei de grandes quantidades e me fartei.

Novas ilusões e uma dupla porção de fé e de esperança também seria excelente.

Peço-lhe também uma paleta de cores para pintar minha vida quando a perceber cinza e escura.

Seria de grande utilidade uma cesta de lixo para jogar toda a sujeira que tanto me incomoda.

[…]

Também lhe peço muitas cenouras, para ter boa visão e não deixar passar as oportunidades sem percebê-las.

Preciso também um relógio grande, enorme, para que cada vez que o veja me lembre que o tempo corre e não posso desperdiçá-lo.

[…]

Preciso também de uma caneta com muita tinta, para escrever todas minhas vitórias e meus fracassos.

Mas, sobretudo, peço que me conceda muita vida, para realizar tudo que tenho na mente e para que no dia que eu partir, tenha alguma coisa para lhe levar e possa ver que não perdi o tempo aqui na terra.

Desde já lhe agradeço o que me possa mandar e também agradeço, muito mais, tudo o que me mandou a primeira vez.

Com muito carinho,

Eu

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Pra que servem os amigos



Amigo...
Pra mostrar os nossos medos
Pra contar os nossos segredos
Aqueles que pra ninguém poderíamos revelar.

Amigo…
Para falar de coisas que não falamos pra ninguém
Pra fazer aquilo que não faríamos perto de alguém
E morrer de gargalhar.

Amigo…
Pra desabafar
Pra encorajar
Pra, simplesmente, concordar.

Amigo…
Pra trocar nossas idéias mais preciosas
Das mais simples às mais geniosas
E, muitas vezes, fantasiar.

Amigo…
Pra te ouvir sem você falar
Pra te dar carinho sem te tocar
E estar sempre pronto a te apoiar.

Amigo…

Do lado de cá

domingo, 27 de junho de 2010

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.


Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ora, ora, carambola!!!


Acordamos às quatro da manhã, em pleno sábado. Lógico que não foi pra trabalhar, senão nem estaria falando com tanto entusiasmo assim e nem teria levantado exatamente este horário.

Trocamos-nos e então saímos com nossos apetrechos para mais uma caminhada como PeregrinosRP.

Seria esta mais uma caminhada difícil, com subidas íngremes, pontos arenosos, mas que com certeza valeria a pena. Foram 20 km até o ponto de encontro, de troca de idéias, ar puro, lindas visões, algumas “ultrapassagens”, curtição, desafios, novos amigos e algumas surpresinhas.

A exuberância da natureza tomava conta do lugar. Grandes árvores, algumas com muitas folhas que escondiam todo o seu corpo, outras somente com suas coroas esverdeadas, mostrando todas as suas curvas, e ainda tinha aquelas que, nesta estação, exibem suas cores, suas formas e suas flores que nenhum homem sabe copiar. Mais à frente, nos deparamos com aquelas que nos dão além de tudo, alimento. Eram mangueiras, limoeiros, goiabeiras, tangerineiras e… E aquela?

Ah! Uma cerca viva, só isso. Mas olho mais distante e observo um homem escondido por entre seus galhos. O que será que ele está pegando desta vez? Examino cada uma daquelas arvorezinhas ao meu lado, sem sucesso. Não consigo identificar o que ela tem de tão especial, além de cachos de flores muito bonitos.

É quando nos aproximamos do homem, aquele escondido entre seus galhos e ele sai perguntando: “Vocês gostam de carambola?” Poxa vida! Quem nunca viu um pé de carambola? Eu nunca tinha visto. Eu que achei que conhecia muito destas coisas, nunca tinha visto um pé de carambola. É realmente uma perfeição. Aqueles frutos caídos nos cachos, uns ainda verdes, outros prontos para consumo: era uma miragem. Eu não imaginava a beleza que era um pé de carambola.

Parei para observar. E, lógico, para pegar algumas também. Como eu tinha esta oportunidade, ali, na minha frente, nas minhas mãos e ia deixar de pegar algumas para saborear aos poucos, admirando cada pezinho que cercava uma plantação de goiabas. Não tinha nada mais lindo do que aquilo que eu acabara de ver.

Daí por diante, foi visualizando em pensamentos aquela maravilha que cheguei sã e salva, não sem dores, no destino que nos esperava.

Confesso que fiquei impressionada com tanta perfeição, tanta beleza.

É nesses momentos que percebemos a perfeição de Deus. Temos mesmo que agradecer todos os dias por vivermos e podermos usufruir daquilo que Ele nos proporciona. Observar mais as belezas da Natureza e também cuidar dela, para que no Futuro, nossos filhos, netos e bisnetos também tenham o prazer de conhecer “um pé de carambola”.

E você? Já viu um pé de carambola?















E se os cachorros falassem?

Já pensou se cachorros falassem? Com certeza ele seria seu melhor amigo e te ensinaria coisas assim:

Quando alguém que você ama chega em casa, corra ao seu encontro.

Nunca perca uma oportunidade de ir passear.

Permita-se experimentar o ar fresco do vento no seu rosto.

Mostre aos outros que estão invadindo o seu território.

Tire uma sonequinha no meio do dia e espreguice antes de levantar.

Corra, pule e brinque todos os dias.

Tente se dar bem com o próximo e deixe as pessoas te tocarem.

Não morda quando um simples rosnado resolve a situação.

Em dias quentes, pare e role na grama, beba bastante líquidos e deite debaixo da sombra de uma árvore.

Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.

Não importa quantas vezes os outros te magoam, não se sinta culpado, esqueça tudo e faça como se nada tivesse acontecido.

Aproveite o prazer de uma longa caminhada.

Se alimente com gosto e entusiasmo.

Coma só o suficiente.

Seja leal.

Nunca pretenda ser o que você não é.

E o MAIS importante de tudo:

Quando alguém estiver nervoso ou triste, fique em silêncio, fique por perto e mostre que você está ali para confortar.

A amizade verdadeira não aceita imitações.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Comédia corporativa


Quem só apóia e deixa os subordinados brilhar é que faz a diferença na maioria dos casos, e por isso é quem sobe na empresa.
Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente. Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal.
Figuras como o Raul.
Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio. Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho – com tinta nanquim. Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase.
Deu no que deu.
O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma.
E o resto de nós passou meio na carona do Pena – que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas.
No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de “paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino”. E o Raul ali, na terceira filha, só aplaudindo.
Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena?
O Raul.
E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição ?
Ninguém na empresa sabia explicar direito.
O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele,e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação. Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava.
Alguém tinha um problema ?
Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.
Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou comigo,o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta.
E eu perguntei ao Raul qual era a função dele.
Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta.
O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer.
Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável: ele entendia de gente.
Entendia tanto que não se preocupava em ficar na sombra dos próprios subordinados, para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos.
E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler,que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima.
“Qualquer tolo pode pintar um quadro. Mas só um gênio consegue vendê-lo”, costumava dizer Butler.
Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas. Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Paciência


Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia. Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo?
O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar. Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice. O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais. Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus. A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar?
Qual é a finalidade de sua vida? Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta. E você?

Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire... Acalme-se...

O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor de si mesmo, com ou sem a sua paciência.
NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL... SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Manual do Guerreiro da Luz

"Um guerreiro da luz nota que certos momentos se repetem. Com frequência se vê diante dos mesmos problemas e situações que já havia enfrentado. Então, fica deprimido. Começa a pensar que é incapaz de progredir na vida, já que os momentos difíceis estão de volta.

-"Já passei por isso", ele reclama com seu coração.
-"Realmente, você já passou", responde o coração. "Mas nunca ultrapassou".

O guerreiro então compreende que as experiências repetidas têm uma única finalidade: ensinar-lhe o que ainda não aprendeu. Ele passa a procurar uma solução diferente para cada luta repetida até que encontra a maneira de vencê-la."

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Os que nunca partem


Eu me lembro que quando era muito jovem,
ouvia os adultos comentarem: fulano partiu.
Esta era a forma que eles achavam
menos sofrida de falar que alguém havia morrido,
principalmente quando estavam perto de crianças.

Era um jeito delicado que eles tinham
de citar a morte sem que ela parecesse tão chocante.
Cresci e comecei também a falar assim - fulano partiu -
acabei achando menos dolorido, menos violento se referir à morte dessa maneira.

Quando se diz que alguém morreu,
dá a impressão que se acabou,
desapareceu e imaginar que alguém que queremos
bem acabou ou desapareceu pra
sempre é terrível.

Dói mil vezes mais do que precisar enfrentar a sua própria ausência.
Partiu já é diferente,
dá uma sensação de que em algum
ponto da vida nos reencontraremos com
esse ente querido novamente.

Fica mais fácil imaginar que ele viajou,
uma viagem sem data pra voltar,
mas com retorno garantido.

Enfim,
descobri recentemente, que existe uma outra categoria dentro
desse universo.
São aqueles que nunca morrem e, portanto, jamais partem.

São aqueles que embora desapareçam de nossas vistas,
eternamente se fazem presentes em nossa memória e nosso coração.
Os que nunca partem são as pessoas que nortearam nossos dias,

colocaram um significado importante neles e
deixaram uma marca tão profunda em nós que não importa onde estejam,
porque ao nosso lado, de alguma forma, sempre estarão.

Morrer, partir, são coisas simples, coisas do dia-a-dia.
Acontece toda hora, em todo lugar, com todas as pessoas.

Os que nunca partem e os que nunca
passam pela dor de assistir alguém
querido partir são os felizardos dessa vida.

Dores momentâneas,
saudades e ausências à parte,
felizes daqueles que amaram
alguém nessa vida a ponto de jamais
deixá-los partir de seus corações.

Se quando eu me for,
por desígnio de Deus,
uma única pessoa não me deixar
partir me guardando dentro do seu peito,
eu direi que valeu a pena ter
passado por aqui e que minha estada
nessa vida não foi em vão.

Mas enquanto ainda estou por aqui,
só tenho a dizer que dentro de mim moram
pessoas que nunca deixei que
partissem verdadeiramente,
assim, como não deixarei que partam,
jamais, algumas que ainda estão por aqui.

Os que nunca partem são aqueles que
descobriram o segredo de brilhar na terra,
mesmo antes de chegarem ao céu
e se tornarem estrela.

domingo, 16 de maio de 2010

A Sombra de um Jatobá

Raios de sol na varanda
verde cobrindo o jardim
poder sentir a vida espreguiçar
com o cheiro da madrugada
dama-da-noite, jasmim
olhar no céu estrelas pra contar
Ter meus amigos comigo
quem amo me amando, sim
longe do amor de quem nos finge amar
Ver na manhã de um domingo,
meu filho sorrir pra mim
depois dormir à sombra de um jatobá
Poucas coisas valem a pena
o importante é ter prazer
Longe de mim a inveja e a maldade escondidas na vida
Hoje estamos nós em cena e não há tempo a perder
pois tudo acaba mesmo sempre em despedida
Ter meus amigos comigo
quem amo me amando, sim
longe do amor de quem não sabe amar
ver na manhã de um domingo
meu filho sorrir pra mim
depois dormir à sombra de um jatobá
poucas coisas valem a pena
o importante é ter prazer
longe de mim a inveja e a maldade escondidas na vida
hoje estamos nós em cena e não há tempo a perder
pois tudo acaba mesmo sempre em despedida


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

sábado, 17 de abril de 2010

Pedaços

Um pedaço de mim reclama tempo para viver,
outro assume a responsabilidade e quer apenas trabalhar.

Um pedaço de mim quer viver um grande amor,
e entrega-se sem medidas,
o outro tem medo, já sofreu decepções e por ele,
nunca mais me apaixonaria.

Um pedaço de mim é brincalhão e vive rindo,
outro é triste, tem momentos de puro isolamento.

Um pedaço de mim quer vencer, é pura euforia,
Outro quer apenas viver, deixar a vida me levar...

Um pedaço de mim sofre com a dor dos outros,
outro quer que eu cuide apenas das minhas dores,
que não são poucas, já que vivo em conflito,
entre o que eu sou e o que eu gostaria de ser,
entre o que tenho e aquilo que gostaria de ter,
e, se um pedaço de mim sente-se satisfeito,
o outro grita por novidades, por consumo,
por gente, por beijos e amores inconstantes.

Nesse turbilhão, acordo todos os dias,
tentando unir esses dois lados que coexistem em mim,
e que por mais diferentes que sejam,
ainda assim, só querem mesmo,
o melhor para mim.

Hoje eu junto o ser e o querer,
o que fui e o que desejo ser,
para cumprimentar a vida,
abraçar meus sonhos e pedir passagem
simplesmente para ser feliz.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Casar-se de novo

Meus Amigos separados não cansam de perguntar como consigo ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres, sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.
Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue:

Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.

O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido.

Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção? Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 kg em um único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo?


Faça de conta que você está de caso novo.

Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a frequentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge. Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas.

Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação.
Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos. Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.

Mas se você se separar sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior. Não existe essa tal 'estabilidade do casamento' nem ela deveria ser almejada.

O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma 'relação estável', mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no inicio do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.

Portanto descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo interessante par. Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O que é Importante

... O que é Importante ...

O importante é o sorriso,
A pureza da criança;
O importante é conservarmos
a criança em nós.
O importante é superar as desavenças
Com rápido perdão, total superação.
O importante é deitar à noite
com o coração em paz,
com a sensação do dever cumprido,
sem peso na consciência.

O importante é saber perdoar a si mesmo,
se cometermos alguma falha,
afinal somos humanos,
renascendo plenamente,
a exemplo do Sol,
que todos os dias renasce pleno,
majestoso e livre
do que fora no dia anterior,
aquecendo e gerando novas vidas.

Precisamos acordar todas as manhãs
com o olhar brilhante,
mesmo que haja chuva,
renascendo de todo o passado,
pois o presente
é o tempo de amar,
é o tempo de viver,
de perdoar e de ser perdoado.

O importante é viver com plenitude,
renascendo sempre,
em cada manhã....


segunda-feira, 8 de março de 2010

O que importa?

O que importa se o que é importante pra você perdeu a importância?