Certamente o que importa pra mim, não é tudo o que é importante para você. Porém, coisas simples são tão importantes para algumas pessoas, que podemos aprender nesta simplicidade a sermos muito mais felizes e darmos muito mais valor para aquilo que temos, que somos, que fazemos, que sonhamos...
quarta-feira, 9 de março de 2011
Elefantes de circo
terça-feira, 1 de março de 2011
Uma vida!

Ela estava receosa. Na última semana tinha feito as contas no calendário, dia a dia e chegou à conclusão que estava preocupada sem motivo.
Uma semana depois e nada acontece. Chegando no último dia previsto, nada. Aí caiu em desconfiança. Havia ali a presença de alguma coisa que causava susto, que fazia o coração tiritar, as mãos ficarem suadas. Era necessário a confirmação.
Ao sair do trabalho, por sinal em horário nada convencional, passou por uma farmácia e solicitou o teste que confirmaria tanta sofreguidão. Quando solicitado ao balconista, foram demonstrados vários, porém ela necessitava somente de um. Um único que confirmaria a suspeita. Escolheu. Chegou em casa e leu, afinal, tudo era novidade. Esperou até o primeiro xixi do dia. Nunca uma noite fora tão longa quanto aquela. Aguardando o armazenamento do liquido necessário para a confirmação do desespero.
No outro dia, acordou, olhou para o lado e nem sinal de alguém acordado. Levantou-se e seguiu até o banheiro. Lá dizia que não era necessário colher a urina, mas mesmo assim isto foi feito. Vai que a quantidade que molha aquela mísera fitinha não é necessária para percorrer todo o caminho até o resultado? Preferiu não arriscar. Agiu da melhor forma para obter um resultado sem hesitação.
O líquido percorreu aquela fita chegando à janelinha do resultado. Pintou a primeira linha. Clara, muito clara e fina. Ao recorrer a bula estava indicando: “Mesmo que uma das linhas for muito clara, o resultado é positivo”. Bom, até então, nada tinha se confirmado. Aguardou mais alguns segundos enquanto o líquido avançava. E mais uma linha foi pintada. Desta vez mais escura, totalmente nítida. Era a confirmação do que a remetia ao medo.
Daí o coração disparou. As mãos começaram a tremer, veio um sentimento lá do fundo que nunca tinha passado por seu corpo, por sua mente. Algo estranho, alheio, esquivo, difícil de descrever. Inexplicável. Não sabia se era bom ou ruim tudo aquilo. Era medo.
Agora era necessário tornar público, afinal o acontecido traria muita alegria para muitas pessoas. Não era uma coisa para se curtir solitariamente.
Quando retornou ao seu repouso, ele estava acordado. Foi então que teve a idéia de ter vontade de churrasco. Sugeriu que fizessem um e então chamassem todos, os pais dela e os pais dele, juntamente com todos os cunhados. Seria muito mais legal se todos soubessem ao mesmo tempo.
Alguém precisava saber antes de todo mundo, pois ficaria responsável por registrar o momento. Encontrou-se com sua cunhada, Michelle, e contou a ela no meio da rua, no movimento do centro, junto à multidão. Sua alegria foi evidente. Muito emocionante. Porém tinham que se conter, pois o personagem principal de todo o conto estava a aproximar-se.
Tudo combinado.
Não foi possível completar o plano sozinha. Teve que pedir arrego. Um torpedo e pronto. Problema resolvido. “Mi, daria para você comprar o sapatinho para mim?”
No outro dia, tudo conspirava a favor. Nenhuma desconfiança, tudo correndo como previsto. Um almoço normal, como outro qualquer que teriam feito com a família.
Seu irmão não chegava, o tempo foi passando e a agonia foi aumentando.
Até que tomou a decisão: “Vou lá pegar”. Michelle se preparou. Ela desceu com a caixa. Era azul e tinha laço de fita. Todos ficaram olhando, porém nenhuma pergunta.
Quando deram a deixa, pronunciou-se:
- “Tenho um presente para você!”
- “Presente? Pra mim? Por que?”
Com coisa que para se dar ou ganhar presente precisa ter algum motivo especial. Este era um momento especial e único, para todos ali reunidos.
Foi quando abriu a caixa e inerte ao que encontrou não se conteve. O choro foi inevitável, a emoção foi incomensurável. Todos olhando aquela cena solicitaram: “O que é? Mostra pra gente! Fala logo!!!”.
E ele, sem nada dizer, levantou: um sapatinho.
Era a notícia de que sua família estava aumentando, que Deus estava proporcionando a eles um presente dos mais belos que Ele dá a uma mulher e a um homem: um filho, uma vida.
Foi emocionante.